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Âncora 1
Mangás

Mangás são as histórias em quadrinhos japonesas e sua leitura é feita de trás para frente, até mesmo os balões de conversa, diferente dos quadrinhos americanos, cuja a leitura é a convencional. Caso tenha curiosidade em saber mais sobre mangás, acesse o site da editora  brasileira JBC através do link https://mangasjbc.com.br/o-que-e-manga/ e entenda desde o contexto histórico à atualidade dessa mídia.

Clicando AQUI é possível verificar como funciona um mangá, usando como exemplo o título Slam Dunk. A leitura acontece dessa forma:

Âncora 2
Animês

Animês são animações de origem japonesa, sendo boa parte adaptações de mangás. O site japones.net.br explica o que são os animês desde sua origem às suas características, caso tenha interesse em entender melhor esse mundo das animações. 

Lelouch Lamperouge do animê Code Geass.

Âncora 3
Comparando mangás e animês

Animês e mangás são mídias diferentes, que tem o mesmo fim: apresentar uma história para seu leitor/telespectador.
Enquanto o mangá tem menos movimento, não possui cor (exceto em capas e contracapas) e muito texto, o animê tem muito movimento, um trabalho de animação, de dublagem, cores, trilha sonora, uma grande produção e equipe por trás.
Boa parte das adaptações de mangá sofre uma censura, já que são feitas para TV. Isso acontece por conta de determinado título possuir cenas fortes, violentas ou com conteúdo para maiores de 16~18 anos. Dessa forma, tudo que é considerado pesado é cortado da parte animada.
Abaixo segue um exemplo comparando ambos:

Títulos como Tokyo Ghoul, licenciado e publicado pela editora Panini no Brasil, sofreram com uma adaptação em animê defasada e longe do material original, sendo sua segunda temporada feita diferente do material original. Isso é bastante comum por conta da parte animada não ser de total criação e supervisão do autor do mangá, o que acaba gerando variações quando é feita a transição do papel para a TV, somado a fatores como tempo de produção e recursos financeiros.  Informações como essas e outras relativos a esse nicho podem ser encontradas no site Chuva de Nanquim, cujo conteúdo aborda unica e exclusivamente o mundo dos mangás e animês.

Comparação quadro a quadro do mangá e animê Tokyo Ghoul. As tarjas pretas representam a censura imposta em sua versão para TV. 

Âncora 4
A identificação através de mangás e animês

Todo título de mangá e animê trabalham por trás de uma premissa que vai além do superficial, ou seja, do que é visto. Seja para o público infantil, adolescente ou adulto, os mais variados títulos têm em sua estrutura, uma mensagem a ser passada, algo a ser ensinado.
Os gêneros shounen (ou seja, feitas para o público mais jovem) possuem, em sua grande maioria, um personagem que, ao longo das histórias, evolui, supera obstáculos, muda seu estilo de vida para melhor, dentre outros fatores que o levam a evoluir e se tornar melhor no que diz respeito ao tema principal da obra. As questões de identificação não se limitam apenas ao gênero shounen, podendo abranger outros.
E dentro dessa esfera envolvendo questões psicológicas, de autorreflexão, três pessoas passaram por situações reais onde, através de mangás e animês e sua identificação com alguns deles, superaram e/ou melhoraram suas vidas, a si mesmo.

Fairy Tail, do autor Hiro Mashima, licenciado e publicado no Brasil pela editora JBC, conta a história de Lucy Heartifilia, uma jovem de 17 anos que tem como desejo se tornar uma boa maga. Para isso, ela entra em uma guilda chamada Fairy Tail onde conhece outros magos e, juntos, formam laços de amizade e realizam missões ao longo da história, combatendo os mais diversos vilões.

Como fã do animê, Alana Fernandes, 26 anos, natural de Fortaleza/CE e formada em Nutrição, conta em entrevista que a história a comoveu e a ajudou em determinado período de sua vida. O personagem Jellal Fernandes é introduzido na história como um vilão a princípio, sendo resgatado ao lado do bem através de Erza Scarlet, maga classe S da guilda Fairy Tail. “As pessoas, às vezes, caem, mas elas podem se levantar. Às vezes ela erram, mas podem mudar”, afirma.

1ª abertura do animê Fairy Tail.

A entrevistada conta que, em um momento de sua vida em que tinha acabado de sair da faculdade e estava desempregada, se sentiu perdida como Jellal também se sentiu em uma parte da história e, através da superação do personagem, ela também se superou espelhada, de certa forma, nele. “Foi nesse momento da minha vida que eu comecei a escrever fanfics sobre esse mangá e animê, e a partir disso fiz muitos amigos” diz Alana. ​

A história de Fairy Tail se apoia  nos pilares da amizade, no significado puro da palavra, no qual  as personagens se ajudam e superam vários obstáculos.  Essa forma de preenchimento do sentimento contribui para o desenvolvimento da serialização como um todo, pautada principalmente nesses princípios. “Os personagens me ajudaram nesse sentido e me motivaram a escrever mais e mais histórias, preenchendo um vazio que eu tinha naquele momento.”, complementa, se emocionando quando lembra do tempo de dificuldade.

Da esquerda para a direita: Natsu, Erza, Lucy, Wendy e Gray. Os gatos voadores: Charles (gata branca) e Happy.

A força de Fairy Tail em sua essência também ajudou Micarla Juliana, 27 anos, universitária de Psicologia e moradora de Natal/RS, a superar um momento difícil e a se autoanalisar por meio  das lições que o animê trouxe. Embora tenha conhecido o mundo da cultura pop japonesa no ano passado, ela já teve um contato breve quando criança e, de lá para cá, conseguiu entender que os títulos possuíam algo a mais para passar, como uma mensagem ou uma lição. Em uma fase de sua vida, Micarla enfrentou  um momento delicado. “Nessa época, por indicação do meu irmão, Fairy Tail foi uma das coisas que me ajudaram a superar essa fase”, diz.
Após um acidente e uma fratura na perna, ela ficou  internada durante  dois meses sem poder fazer movimentos. Obrigada a trancar a faculdade, segundo a entrevistada, ver as colegas avançando na vida e ela impossibilitada, acabou a deixando  com uma espécie de depressão atribuída. “Antes de Fairy Tail teve outros animês como Tokyo Ghoul e Akame ga Kill!, mas Fairy Tail foi  crucial porque, junto disso, veio a questão de eu voltar a escrever fanfics”, afirma ela. 
As fanfics agrupam pessoas com um gosto em comum e, por meio  delas cujo universo criado era paralelo ao original, os amigos feitos – salientando ainda mais a ideia da amizade trabalhada na história – também a ajudaram a superar esse momento de dificuldade, não a deixando desistir por conta da condição na qual se encontrava. “Ao contrário do que muitos achavam na época, o animê foi o que me deu um pouco mais de força para lidar com as coisas, esquecer tudo de ruim que estava acontecendo”, diz Micarla.

Vídeo explicativo sobre o que é fanfic.

Na história, uma das magas que teve pouco foco e era considerada como secundária, Levy McGarden, possuía magia de escrita e uma característica única: ser uma leitora ávida de livros e bastante inteligente, além de quieta. A entrevistada complementa dizendo que essa personagem foi a que mais se identificou, pois tanto quanto ela, o hábito de ler muitos livros e mangás – além da semelhança física – a auxiliou indiretamente a continuar com o hábito e ler mais e mais livros e se autoconhecer. “O autoconhecimento faz com que as coisas mudem e, me identificando com ela, eu assimilei isso e usei como propulsor para eu me conhecer mais. Foi a partir daí que eu percebi que o autoconhecimento é importante”.

Caio Kapps, 24 anos, vendedor e morador em  Orlando na Flórida, é um fã de animês e mangás desde seus 14 anos e, ao longo de sua vida, assistiu e leu diversos títulos que traziam a temática de identificação. Dentre eles, os animês GTO (Great Teacher Onizuka), mangá de Tooru Fujisawa, licenciado e publicado pela editora NewPOP no Brasil, e Clannad trouxeram consigo lições de vida e questões pessoais que fizeram do entrevistado uma pessoa melhor. Confira AQUI a entrevista.

Mangás e animês possuem sempre uma mensagem a ser passada, algo a ser ensinado. Desde o título mais infantil ao mais adulto, há sempre um fator, uma entrelinha, um conteúdo a ser absorvido pelo telespectador ou leitor. Esse fator gera um uma sensação de identificação em quem consome o conteúdo e, com isso, questões como trabalho em equipe, superação, nunca desistir frente a um problema, ir até o fim em algo, empenho, determinação, perseverança e etc são alguns fatores de identificação através da história ou de um personagem específico, que podem ser assimilados e adquiridos pelo jovem, tornando-o uma nova e melhor pessoa. Sendo mangás e animês um meio de educação no Oriente, isso também pode ser observado em todo o mundo, a partir do momento que o telespectador deixar de assistir ou ler somente pelo entretenimento.

Âncora 5
A identificação do jovem

As mídias audiovisuais e visuais, tais como animês e mangás possuem capacidade significativa de transformar o imaginário de uma pessoa, fazendo surgir um cenário onde ela absorve características do que vê ou lê, defendendo uma postura moldada no que é absorvido e/ou consumido, podendo se identificar.
Essa questão é mais comum em crianças que não sabem ler ou escrever, as quais veem na TV uma forma de absorção de conteúdo, trejeitos e similaridades, iniciando um processo chamado de aculturação, ou seja, a acumulação de impressões e dados. 

Um exemplo disso é a característica do personagem Naruto do animê e mangá Naruto: ele, inicialmente, passou por uma fase difícil, não sendo aceito pelas pessoas da vila por ter um “demônio” em seu interior, situação que muitas crianças e jovens, dependendo  do caso, também passaram, cada qual com seu próprio “demônio” interior buscando por aceitação em seus grupos sociais. Logo, se identificam com essa questão. Com o passar do tempo, na história, Naruto se supera e se torna o que sempre sonhou: o líder máximo da vila, o Hokage. A lição passada é mais facilmente absorvida por crianças, o que não impede de acontecer o mesmo na fase da adolescência e até adulta.
Essa absorção de características, da superação e da evolução em si pode servir como elemento de identificação, aceitação em um determinado ambiente, expressão de ideias e até mesmo aquisição para um melhor vocabulário. O treino perceptivo, tanto visual quanto auditivo, com o auxílio da TV, mangás e animês traz uma maior riqueza de informações, bem como questões envolvendo trabalho em equipe, valorização do outro, superação e autoestima. Assim, desde cedo a criança adquire mais conhecimento através do que vê ou lê, dando um maior valor para o processo de aprendizagem e identificação.

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